Por que a tristeza existe?

Entre as emoções negativas consideradas saudáveis está a tristeza que, mesmo sendo percebida como desagradável e relacionada a sofrimento e vários outros sentimentos considerados ruins ou indesejáveis, é uma emoção que faz parte de muitas experiências humanas construtivas, ligadas a aprendizados e até mesmo ao atingimento de objetivos evolutivos. Já entre as emoções negativas consideradas não saudáveis está a depressão, a qual não está relacionada a nenhum aprendizado evolutivo útil e, muito pelo contrário, é um sentimento destrutivo, incapacitante e que afasta a pessoa de seus objetivos.

Há três componentes principais na tristeza considerada natural. O primeiro deles sugere que a emoção esteja relacionada a uma situação específica. Já o segundo componente da tristeza é a sua intensidade razoavelmente proporcional à magnitude da situação que a provocou. Por mais difícil que seja mensurar essa intensidade, existem dois fatores importantes que contribuem para. O primeiro é cognitivo: Reações normais à perda implicam em percepções razoavelmente precisas das circunstâncias, ao invés de distorções cognitivas. O segundo fator é o emocional: A reação deve ser de intensidade emotiva e sintomática razoavelmente proporcional à gravidade das circunstâncias. O terceiro e último componente da tristeza é que ela diminui quando o contexto muda para melhor, ou quando o indivíduo se adapta à ele. Algumas situações, como a morte de um ente querido são irreversíveis e a duração da tristeza depois dessas perdas, embora muito variável, diminui com o passar do tempo.

A natureza transitória da maioria das reações de tristeza permite um olhar reflexivo sobre o passado, no qual há a resignação acerca do acontecimento que a causou. Assim, permite que o indivíduo se reoriente, concentrando e reavaliando-se em relação ao que aconteceu em sua vida. Em contrapartida, a depressão, ao invés de ser específica ao contexto e com duração limitada, tende a ser crônica, recorrente e desproporcional as circunstâncias sofridas.

Horwitz, A. V.; Wakefield, J. C. A tristeza perdida. São Paulo: Summus Editorial, 2010.

Maj, M.; Sartorius, N. Transtornos Depressivos. Porto Alegre: Artmed, ed. 2, 2005.

Jéssica Locatelli- Psicóloga- Pós-graduanda em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental pelo COGNITIVO – Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, no Rio Grande do Sul.

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s